Fonte: O Estado de S. Paulo
Movimento de empresários se compromete a manter 2 milhões de empregos por ao menos dois meses, apesar de crise do coronavírus
Criado no último dia 3, por iniciativa da Ânima Educação, o site
naodemita.com conta com assinaturas de empresas de grande porte, como as varejistas Magazine Luiza e GPA (das redes Pão de Açúcar e Extra), os bancos Santander e Itaú Unibanco e fabricantes de cosméticos, como Natura e Boticário.
Os empresários tentam estimular empresas de todos os portes a fazer parte do movimento, em que se comprometem a não cortar pessoal ao menos por dois meses. Quando a ideia surgiu, 40 empresas se interessaram por lançar a iniciativa.
O documento tem valor simbólico, não jurídico. “Mas é como uma corrente positiva. A empresa se compromete a manter os funcionários. Quem assinar e descumprir, corre o risco de ser exposto nas redes sociais pelos próprios funcionários. Mas a intenção de todos é positiva”, conta o presidente do conselho da Ânima Educação, Daniel Castanho, que lançou o projeto.
“Escrevi um manifesto, mas o número de empresas que se interessaram foi tão além das expectativas, que acabou virando um movimento”, conta Castanho. “A ideia era provocar outras empresas. A responsabilidade do empresário agora é fazer com que o impacto na economia seja o menor possível.”
No início do mês, o Santander divulgou estudo prevendo que o pior momento da crise econômica provocada pelo novo coronavírus deve acontecer no fim do segundo trimestre.
O banco é um dos que assinam o manifesto. “Em 23 de março anunciamos nosso compromisso público de não demitir funcionários durante o período crítico da pandemia. Na semana anterior, já havíamos divulgado a decisão de antecipar todo o 13.º de nossos funcionários para pagamento em 30 de abril”, conta Vanessa Lobato, vice-presidente de Recursos Humanos do banco no Brasil.
O executivo da Ânima, que tem mais de 8 mil colaboradores, lembra que, além do compromisso social, as empresas que aderirem ao “Não Demita” devem ser recompensadas pelo consumidor quando a crise passar e que a relação com os funcionários também será melhor.
Empresa muda para não demitir
O cenário adia projetos e faz com que as empresas brasileiras lancem mão do caixa para evitar o corte de funcionários.
Segundo Castanho, da Ânima, é preciso reforçar que as medidas de isolamento social, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são importantes, mas que a crise será superada e as empresas devem rever a estrutura de custos, ver as medidas anunciadas pelo governo que podem auxiliar e abrir mão dos resultados deste trimestre, para evitar demitir.
“Da mesma forma que é impossível ter um isolamento de 100% e vários serviços precisam continuar, nem todo mundo vai poder deixar de demitir. Mas quem pode manter empregos deve honrar tanto o compromisso que tem com as pessoas que trabalham na sua empresa quanto o que já havia sido acordado com fornecedores, para não ter demissão indireta.”
No caso da calçadista Bibi Calçados, as últimas semanas têm sido de faturamento quase zero. Ainda assim, a empresa reviu custos de produção, abriu mão de projetos que havia desenhado no início do ano e assinou o manifesto para não demitir seus mais de 1,2 mil funcionários durante a pandemia.
“A partir desta semana, parte dos funcionários em férias coletivas vão ter jornada reduzida e uma parte, contrato de trabalho suspenso. Estamos usando esse reforço, previsto pelo governo agora, e prorrogação de impostos também. A intenção é evitar ao máximo demitir”, diz Andrea Kohlrausch, presidente da fabricante gaúcha.
Com 900 funcionários, a Cultura Inglesa adotou o trabalho remoto e as licenças remuneradas durante a quarentena. “Adequamos nosso modelo de ensino ao cenário atual, mudando as aulas presenciais para o formato ao vivo pela internet, sem alterar horários e nem professores”, conta Marcos Noll Barboza, presidente da escola.