Fonte: UOL
A rota do tráfico internacional de cocaína, dominada no Brasil pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), começa nas plantações de coca nos países andinos, continua na travessia da droga pelo país —por meios terrestres, fluviais e aéreos— e chega até grandes portos brasileiros. De lá, a cocaína é levada a outros continentes.
Levantamento da PF, obtido pelo UOL em primeira mão, aponta que, entre o ano passado e este ano, dobrou o número de cocaína —o principal produto comercializado pelo PCC— apreendida nos principais portos do Brasil. Nos dois portos utilizados com mais frequência (Santos e Paranaguá), as apreensões em 2019 bateram recorde. Confira os dados abaixo:
Gaetano Paci, procurador antimáfia da Calábria (província da Itália), afirmou que "há muitas evidências de uma relação entre a 'Ndrangheta e narcotraficantes sul-americanos. Muitas cargas de cocaína partem precisamente de portos brasileiros, particularmente dos portos de Recife e Santos".
"São navios que seguem rotas específicas para o transporte de contêineres. Muitos desembarcam em Gioia Tauro, um dos maiores portos do Mediterrâneo e que é controlado pela 'Ndrangheta", complementou.
Após a morte de Gegê do Mangue, André de Oliveira Macedo, o André do Rap, foi escalado para comandar os negócios da facção em Santos. Ele era apontado como um dos homens de confiança de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, que é apontado como o braço direito de Marcola em liberdade e que prometeu ao líder cumprir o plano de resgatá-lo.
André do Rap foi preso em setembro de 2019.
A procuradora da República Ryanna Pala Veras, responsável pela denúncia da Operação Brabo, deflagrada em 2017, e que obteve a condenação de 26 pessoas por tráfico internacional de drogas no último mês de maio, diz que "o porto de Santos constitui a principal rota de escoamento de grandes carregamentos de cocaína produzida na América do Sul".
"Foi organizada uma rede de logística entre produtores, transporte, armazenamento e embarque em navios com destino à Europa, África e Oriente Médio. Essa logística é controlada pelo PCC, que praticamente detém monopólio dessa atividade criminosa no Brasil", informou a magistrada.
Segundo a Polícia Federal, o PCC tem o interesse de fazer o mesmo em portos do sul do Brasil, por serem mais próximos do Paraguai —uma das principais rotas de entrada da cocaína adquirida pelo PCC. Entre esses portos, estão Paranaguá (PR) e Itajaí (SC).
Para o desembargador José Laurindo de Souza Netto, professor e supervisor pedagógico na Escola da Magistratura do Paraná e que tem estudos sobre as máfias italianas, o PCC "se utiliza de fato do transporte marítimo, mais especificamente dos contêineres para enviar a droga para a Itália e outros países. O envolvimento das facções em toda a logística de atuação nos portos está constatada pela autoridades competentes".