Fonte: G1
Brasil deve criar entre 590 mil e 870 mil de vagas com carteira assinada neste ano, segundo estimativas. Trabalho informal, porém, tende a continuar a superar o emprego formal, e país só deverá recuperar patamar pré-recessão a partir de 2021.
A criação de vagas com carteira assinada deve manter a trajetória de expansão em 2019, em meio à
perspectiva de maior crescimento da economia. Mas a geração de empregos formais ainda ficará aquém do que seria necessário para recuperar o patamar pré-crise e a taxa de desemprego deverá terminar o ano ainda em dois dígitos, segundo economistas e consultorias ouvidos pelo G1.
Segundo o economista Eduardo Velho, da GO Associados, o maior otimismo para 2019 está ancorado principalmente no otimismo do mercado em relação ao avanço de medidas de ajuste fiscal e, sobretudo, no encaminhamento e aprovação da reforma da Previdência ainda no 1º semestre.
A projeção de criação de 870 mil vagas no ano da consultoria (a maior do levantamento) leva em conta uma estimativa de alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,27% em 2019 – acima da média das projeções do mercado financeiro, atualmente em 2,53%, segundo o
último boletim Focus do Banco Central.
"Nossas projeções têm como hipóteses a queda do juro neutro de longo prazo para baixo de 4%, uma taxa de câmbio estável e o crescimento da taxa de investimento para algo entre 19% e 20% do PIB", afirma Velho.
Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, projeta uma geração de 850 mil empregos formais no ano, impulsionada por uma melhora da situação financeira das empresas e também por uma maior adesão às modalidades criadas pela reforma trabalhista.
"As mudanças na legislação trabalhista ainda não mostraram que vieram, ao menos no tema ocupação", avalia o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves.
Para 2019 é esperada uma reação mais consistente de setores como indústria e construção civil, que no ano passado ainda mostraram uma recuperação bastante tímida, após terem perdido mais de 1,8 milhão de vagas entre 2015 e 2017 (destes, 951 mil postos na indústria e 879 mil postos na construção).
Em 2018, a criação de vagas ficou concentrada nas regiões Sudeste e Sul, e em serviços e comércio, que responderam por mais de 90% do saldo líquido de empregos formais abertos no ano. Veja gráfico abaixo:
Estoque de empregos ainda distante do patamar pré-crise
Mesmo nas projeções mais otimistas, o país só deverá recuperar a partir de 2021 o total de cerca de 2,8 milhões de vagas destruídas durante a recessão.
O Brasil fechou o ano com um estoque de 38,39 milhões de empregos formais existentes, patamar mais alto de final de ano desde 2015 – quando 39,20 milhões de pessoas ocupavam empregos com carteira assinada. No pico, no final de 2014, o número chegou a 41 milhões.
"2019 será um ano melhor, mas que ainda não irá reverter toda a gravidade da crise que o país passou", afirma Xavier.
"Se o Brasil passar a crescer acima de 3% ao ano há uma grande chance de recuperar os empregos perdidos com a crise em 2021", avalia Velho.
Desemprego ainda elevado
Os números do IBGE mostram que a maior parte das novas ocupações é de trabalhadores sem carteira assinada ou por conta própria, cujas remunerações são bem menores.
"Isto se explica pela fragilidade da recuperação da atividade, com efeito sobre o emprego e, reversivamente, sobre a atividade, através da massa salarial", afirma Gonçalves, do banco Fator, que projeta uma taxa de desemprego de pelo menos 10% ao final do ano.
Segundo ele, as decisões de investimento e de aumento da produção, essenciais para uma maior absorção de trabalhadores e melhora da qualidade do emprego, continuam "desanimadas pelas perdas recentes e perspectivas ainda muito incertas" sobre a melhora do ambiente de negócios no país.
Eduardo Velho, da GO Associados, observa que embora exista um grande otimismo do mercado financeiro em relação à aprovação de uma reforma da Previdência "robusto", o andamento e tramitação da proposta a ser encaminhada para o Congresso ainda não foi totalmente precificado.
"O timing de tramitação e aprovação da reforma é muito importante para que não haja um retrocesso da estimativa de crescimento da economia para o ano", diz o economista.