Fonte: Blog do João Borges / G1
A combinação de uma recessão profunda e prolongada (a economia encolheu quase 8% em 2015 e 2016) com uma recuperação muito lenta (crescimento de 1% no ano passado e apenas um pouco mais esperado para este ano) cria dificuldades adicionais para o mercado de trabalho, que vão além da taxa de desemprego e do número de desempregados.
O tempo que o trabalhador demora para encontrar outro emprego passa a ser muito maior. E quanto mais tempo fora do mercado, mais dificuldade terá para encontrar uma nova vaga.
No momento em que a economia readquirir fôlego, novos padrões de gestão e de tecnologia podem ser fatores excludentes para quem ficou um longo período sem trabalhar.
Isso significa que praticamente dois em cada cinco desempregados do país estavam nessa situação. Na comparação com o mesmo período de 2014 - considerado o início da crise - o aumento é de 120%.
Desse total, 1,9 milhão estavam buscando recolocação, sem sucesso, por um período entre um e dois anos. Enquanto outros 3,2 milhões estavam na fila do desemprego há dois anos ou mais (veja o gráfico abaixo).
Atualmente, 4,8 milhões de desempregados simplesmente desistiram de procurar vagas - são os chamados desalentados. É o maior contingente da série histórica do IBGE, que começou em 2012.
A situação varia de acordo com o estado. O Amapá é atualmente o local mais difícil para o desempregado se recolocar: 62% dos desocupados têm de esperar um ano ou mais para conseguir um novo posto de trabalho. O Rio de Janeiro vem logo na sequência (veja o gráfico abaixo).