Fonte: AssCom Sindaport - DCG / A Diretoria

A nova investida da classe patronal na questão portuária, desta vez feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que no mês passado lançou o que chama de estudo intitulado “Sistema Portuário: avanços, problemas e agenda”, reascendeu a luz amarela entre dirigentes sindicais e trabalhadores do segmento.
Tendo como prioridade a privatização das companhias docas estatais que administram os principais portos brasileiros, entre ele o Porto de Santos, responsável por 28% da balança comercial do país, o documento apresenta nada menos que 43 propostas que abordam temas como a dragagem, investimentos, tributação, infraestrutura, segurança jurídica e, claro, custos envolvendo a mão de obra, cuja proposta descarta a intervenção do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) na contratação dos trabalhadores portuários.
Preparado minuciosamente para atender única e exclusivamente os interesses e lucros incessantes dos grandes conglomerados, o famigerado conjunto de propostas se apresenta já no nascedouro como um grande equívoco sob o ponto de vista social e um retrocesso ainda maior para uma economia cada vez mais oscilante que há tempos afeta o país.
"Assim como estão fazendo agora, essa confederação formada pelos barões da indústria nacional apresenta o que chamam de estudos aos presidenciáveis há quase 25 anos, mais precisamente desde a eleição de 1994, todos sem exceção carentes de propostas majoritárias em termos absolutos e equânimes envolvendo a relação capital e trabalho", afirmou o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos.
Na avaliação do dirigente, o crescimento e desenvolvimento econômico propagados pela CNI nos estudos são fictícios. "É enganoso porque ao invés do fomento do mercado de trabalho com a consequente geração de empregos e renda, partindo inclusive do progresso e aumento de tudo que é produzido nas indústrias que eles próprios dirigem, em verdade o que pregoam desde sempre são ganhos e vantagens próprias que não por acaso são obtidas à custa dos trabalhadores", pontuou.
Para o sindicalista, a proposta patronal direcionada aos candidatos que concorrerão ao cargo máximo da Nação em outubro próximo vai ao encontro da política adotada pelo Governo Temer. "Seguramente podemos dizer que estamos diante do desmonte do Estado, com um governo pautado por uma agenda de reformas fantasiosas que visam apenas à retirada de direitos e conquistas, como foi a trabalhista e, se não fizermos nada, também será a previdenciária, sem falar na dilapidação gradativa e entreguismo do patrimônio público, em um festival de leilões jamais visto na história do Brasil."
Everandy Cirino lembrou o anúncio feito pelo governo federal em janeiro deste ano, prevendo a desestatização de 75 empresas públicas em 2018, envolvendo rodovias, aeroportos, ferrovias, mineradoras, distribuidoras de energia e derivados de petróleo e, entre outras, as companhias docas.
Nesse sentido, o mandatário sindical acredita que o propósito de Michel Temer em privatizar as administradoras portuárias estatais já navega a todo vapor. "As propostas de reavaliação das chamadas poligonais, os sucessivos e aparentemente deliberados problemas de dragagem, a extinção na prática da Secretaria Especial de Portos, transformada em "cabidaço", o esvaziamento do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), agora um ilustrativo órgão sem função alguma, sem falar no congelamento dos cursos de qualificação profissional dos companheiros, além de outras inconstâncias cotidianamente verificadas no setor portuário, são prenúncios de que devemos nos manter mais do que nunca bem atentos."
Para discutir a indigesta proposta da CNI, além de outros temas de interesse comum da categoria, o presidente do Sindaport convocou na tarde desta quinta-feira as demais entidades coirmãs portuárias para uma reunião conjunta que será realizada na próxima terça-feira, às 9h30, no auditório do sindicato.