Fonte: Valor Econômico

Trabalhadores de quatro terminais portuários de Santos (SP) foram cooptados por uma organização criminosa especializada em tráfico internacional de drogas para facilitar a entrada de cocaína que era enviada ao exterior, de acordo com fontes que atuam na investigação federal.
Conforme o Valor apurou, ao menos quatro funcionários da Santos Brasil, dois da Brasil Terminal Portuário (BTP), seis da Deicmar e seis do T-Grão são suspeitos de envolvimento. Além de 15 estivadores do sistema Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), espécie de "RH" dos terminais arrendados e responsável pela escala de trabalhadores que atuam de forma sazonal e sem vínculo empregatício nessas instalações.
Os trabalhadores são suspeitos de facilitar a entrada de cocaína para embarque em contêineres, segundo a "Operação Brabo", deflagrada pela Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, e que combate o tráfico de drogas a partir de Santos.
A ação já prendeu dezenas de pessoas e é feita em cinco Estados e no Distrito Federal. O grupo usou esses terminais no porto como entreposto para a saída da droga. Todos os 190 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. No Estado de São Paulo, houve 73 presos em cumprimento de mandados de prisão, um em Minas Gerais e um em Brasília. A operação fez duas prisões em flagrante: uma por porte ilegal de arma e posse de drogas e outra por porte ilegal de arma, falsidade documental e posse de drogas.
Também foram lavrados dois termos circunstanciados de ocorrência por posse de pequena quantidade de drogas. Os termos foram lavrados em desfavor de pessoas contra quem já havia a expedição de mandados de prisão.
Procurada, a Santos Brasil informou que apoia a Operação Brabo e está à disposição para colaborar com as investigações da Polícia Federal. Disse considerar "essencial a prevenção e o combate ao crime organizado e a outros ativos lesivos à sociedade".
A Deicmar informou que não tem conhecimento de detalhes da operação ocorrida na manhã desta segunda-feira, mas "vem colaborando com as autoridades policial e aduaneira a fim de auxiliar na elucidação dos fatos noticiados".
O OGMO-Santos afirmou que aguardará o término das investigações para eventuais providências.
A BTP, por sua vez, afirmou, por meio de nota, que, no que diz respeito à operação realizada ontem "nenhum de seus 1.282 funcionários foi alvo de mandados de busca e apreensão ou de prisão" e que "a empresa permanece à disposição das autoridades, colaborando sempre que necessário para o combate ao tráfico internacional de drogas".
O T-Grão não retornou até o fechamento desta nota.