Fonte: G1 Santos
Responsabilidade do setor público, obra para manter a profundidade do canal de navegação é apontada como ineficiente.

A iniciativa privada está decidida a administrar e bancar a dragagem de sedimentos do canal de navegação do Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O objetivo é retirar a obrigação do setor público em gerir e contratar o serviço, para, assim, atender às demandas de competitividade do comércio exterior brasileiro.
Segundo empresários, o canal de navegação do cais santista possui dois metros de calado (profundidade máxima que um navio pode atingir quando carregado) a menos do que o limite estabelecido pela autoridade ambiental. Isso ocorre em razão do acúmulo de sedimentos, ocasionado justamente pela falta de dragagem.
Em 30 de junho, o calado foi reduzido em um metro, justamente pelo assoreamento do primeiro trecho do canal (entre a Barra de Santos e o Entreposto de Pesca). Desde então, um levantamento do setor estima que, por semana, as restrições ocasionem prejuízo de R$ 108,5 milhões (R$ 325,5 no acumulado desde então).
"Essa situação tornou-se rotineira, e a credibilidade do Porto fica comprometida. Transferir tudo o que se refere à dragagem para a iniciativa privada possibilitará que o setor mantenha a competitividade e seja ágil para soluções", disse o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Sergio Aquino.
Na tarde da última sexta-feira (21), em uma reunião inédita em Santos, ele foi o porta-voz de nove entidades que representam o setor empresarial e querem uma solução para o problema. No entendimento dos representantes, a ineficiência do setor público neste segmento compromete o trabalho dos setores logístico e portuário.
A proposta apresentada é para que um consórcio, formado pelas empresas sediadas no Porto, passe a administrar o serviço de dragagem. Os gastos seriam pagos pelas empresas portuárias, que teriam o valor correspondente abatido da tarifa cobrada pela autoridade portuária, hoje responsável por gerir e contratar a retirada de sedimentos.
Essa distribuição de responsabilidades para administrar e arcar com as despesas, segundo o porta-voz, não vai influenciar nos valores cobrados ao usuário do serviço portuário. "A ideia é que, ao longo do tempo, e do novo patamar de eficiência, os custos sejam até reduzidos, beneficiando a todos", explicou.
Segundo Aquino, a proposta já foi apresentada informalmente ao Governo Federal e a parlamentares, que sinalizaram de maneira positiva à sugestão. Uma Medida Provisória (MP) poderia transferir a responsabilidade. O grupo, agora, está focado em finalizar o plano e formalizá-lo para o poder público.
"A situação está insustentável. Não queremos mais questões paliativas ou periódicas. Queremos tranquilidade no futuro e uma solução definitiva, para que possa ser realmente aplicada e executada. Temos pressa e isso é urgente", explicou o presidente do Fenop, que não deu prazo para o plano passar a vigorar.
Dragagem
De acordo com informações dos empresários, o canal de navegação do Porto de Santos pode atingir, hoje, profundidade de até 15,4 metros, entre a barra e o final do estuário, próximo ao Canal de Piaçaguera. A fundura foi o limite estabelecido após os últimos estudos apresentados à autoridade ambiental.
Entretanto, o Porto operava com profundidade máxima de 14,4 metros e, em 30 junho, foi reduzido pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), por orientação da Marinha do Brasil, a 13,4 metros. O calado, entretanto, é um metro inferior, uma vez que é preciso ter uma margem de segurança para os navios.
Sobre o incidente, o diretor-presidente da CODESP, José Alex Oliva, disse na ocasião que os novos limites de calado não eram necessários. Ele admitiu a existência de novos pontos de deposição de sedimentos no canal, mas que não impediam manobras e que seriam solucionados.
Sobre a nova proposta da iniciativa privada, a CODESP, autoridade portuária do cais santista, informou que se pronunciaria nesta segunda-feira (24). O Ministério dos Transportes, Portos e Aeroportos informou ainda não ter conhecimento do plano e que, "até o momento, nenhuma solicitação formal foi entregue à pasta" em Brasília (DF).