Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

Com o objetivo de renovar o Acordo Coletivo de Trabalho que rege as condições laborais dos quase 1.500 trabalhadores vinculados à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) encaminhou expediente, na última sexta-feira (5), cobrando um posicionamento da estatal quanto a manutenção da data-base da categoria.
No ofício (
P.142/2017) endereçado ao diretor de Administração e Finanças, Francisco José Adriano, o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, sintetiza o descontentamento dos trabalhadores e lideranças sindicais diante do silêncio dos mandatários da Autoridade Portuária, considerando que a norma coletiva vencerá no próximo dia 30.
"Para a boa ordem fizemos questão de encaminhar a pauta de reivindicações com antecipação, mas infelizmente até o momento a empresa não se manifestou para que possamos dar início, ou não, ao processo negocial que, via de regra, é moroso e desgastante em razão da já manjada alegação de falta de autonomia da empresa por se tratar de uma estatal", explicou o sindicalista.
Segundo Cirino, os primeiros sinais de descontentamento já podem ser vistos nos locais de trabalho da companhia. "Levando-se em conta a proximidade da data-base, a ausência de resposta da Codesp a uma pauta reivindicatória aprovada em assembleia dos empregados é encarada por muitos companheiros como um descaso e falta de respeito", ressaltou o líder sindical, acrescentando que o clima de insatisfação e intranquilidade está aos poucos tomando conta do cotidiano laboral da empresa.
Na opinião do dirigente, a resposta da Codesp é necessária em razão das exigências de ordem legal. "Independentemente se favorável ou não é imperiosa uma posição expressa e formal da empresa para que possamos instaurar as negociações ou adotar as providências seguintes cabíveis, se for o caso, e esperamos que não seja, ressaltando que os empregados também merecem uma rápida satisfação, além de um pouco mais de consideração", reclamou.
De forma objetiva, o DIEESE aponta que em 30 de maio do exercício em curso os salários terão mantido apenas 96,60% do poder aquisitivo referente a 1º de junho do ano passado. Para que os salários possam, na data-base de 2017, retornar ao mesmo poder de compra da data-base anterior o reajuste necessário sobre os salários de maio de 2017 deverá ser de 3,52% pelo ICV-DIEESE e de 3,39% de acordo com o INPC-IBGE. No mesmo período os indicadores IPCA-IBGE e o IPC-FIPE apresentaram uma variação de, respectivamente, 3,70% e 3,31%.
Apesar do momentâneo silêncio da Codesp, o sindicalista acredita num desfecho rápido e satisfatório, ao contrário do ano passado quando os codespanos ameaçaram paralisar o Porto e Santos diante da proposta zero de aumento no salário. "Aquilo foi indecente em termos de contraproposta e sobretudo retumbante sob o ponto de vista de gestão entre todas que já passaram pelo comando do maior e mais importante porto do país, mas temos certeza de que não vai se repetir, até porque os dados e números apresentados pelo Sindaport através do DIEESE não mentem".