Notícias
10/05/2017 - 06h27

Sindaport cobra da Codesp garantia de data-base


Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

 
Com o objetivo de renovar o Acordo Coletivo de Trabalho que rege as condições laborais dos quase 1.500 trabalhadores vinculados à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) encaminhou expediente, na última sexta-feira (5), cobrando um posicionamento da estatal quanto a manutenção da data-base da categoria.
 
No ofício (P.142/2017) endereçado ao diretor de Administração e Finanças, Francisco José Adriano, o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, sintetiza o descontentamento dos trabalhadores e lideranças sindicais diante do silêncio dos mandatários da Autoridade Portuária, considerando que a norma coletiva vencerá no próximo dia 30.
 
"Para a boa ordem fizemos questão de encaminhar a pauta de reivindicações com antecipação, mas infelizmente até o momento a empresa não se manifestou para que possamos dar início, ou não, ao processo negocial que, via de regra, é moroso e desgastante em razão da já manjada alegação de falta de autonomia da empresa por se tratar de uma estatal", explicou o sindicalista. 
 
Segundo Cirino, os primeiros sinais de descontentamento já podem ser vistos nos locais de trabalho da companhia. "Levando-se em conta a proximidade da data-base, a ausência de resposta da Codesp a uma pauta reivindicatória aprovada em assembleia dos empregados é encarada por muitos companheiros como um descaso e falta de respeito", ressaltou o líder sindical, acrescentando que o clima de insatisfação e intranquilidade está aos poucos tomando conta do cotidiano laboral da empresa.
 
Na opinião do dirigente, a resposta da Codesp é necessária em razão das exigências de ordem legal. "Independentemente se favorável ou não é imperiosa uma posição expressa e formal da empresa para que possamos instaurar as negociações ou adotar as providências seguintes cabíveis, se for o caso, e esperamos que não seja, ressaltando que os empregados também merecem uma rápida satisfação, além de um pouco mais de consideração", reclamou.
 
Acreditando num processo negocial mais tranquilo em relação ao ano passado, quando a Codesp propôs um inédito reajuste salarial zero, rechaçado de imediato pela categoria, Everandy Cirino encomendou um estudo (ICV e INPC / IPC e IPCA) junto ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). 
 
De forma objetiva, o DIEESE aponta que em 30 de maio do exercício em curso os salários terão mantido apenas 96,60% do poder aquisitivo referente a 1º de junho do ano passado. Para que os salários possam, na data-base de 2017, retornar ao mesmo poder de compra da data-base anterior o reajuste necessário sobre os salários de maio de 2017 deverá ser de 3,52% pelo ICV-DIEESE e de 3,39% de acordo com o INPC-IBGE. No mesmo período os indicadores IPCA-IBGE e o IPC-FIPE apresentaram uma variação de, respectivamente, 3,70% e 3,31%.
 
Apesar do momentâneo silêncio da Codesp, o sindicalista acredita num desfecho rápido e satisfatório, ao contrário do ano passado quando os codespanos ameaçaram paralisar o Porto e Santos diante da proposta zero de aumento no salário. "Aquilo foi indecente em termos de contraproposta e sobretudo retumbante sob o ponto de vista de gestão entre todas que já passaram pelo comando do maior e mais importante porto do país, mas temos certeza de que não vai se repetir, até porque os dados e números apresentados pelo Sindaport através do DIEESE não mentem".