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28/04/2017 - 05h41

Presidente do Sindaport critica posicionamento de deputados da região que votaram a favor da Reforma Trabalhista


Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

 
Em mais um duro golpe na classe trabalhadora, pelo qual o Governo Temer e sua base aliada conseguiram aprovar na noite desta quarta-feira (26), por 296 votos a favor e 177 contra, o Projeto de Lei 6.787/2016, que trata da falaciosa e famigerada chamada Reforma Trabalhista, é hora de dar nome aos bois que patrocinaram essa fraude e rasgaram a CLT. 
 
O texto que extingue direitos e conquistas históricas obtidas através de muita luta por gerações de trabalhadores, que representa o fim da carteira assinada, 13º, férias, FGTS e de todos os demais benefícios que estão previstos inclusive na Constituição Federal para milhões de brasileiros, teve o aval de três parlamentares eleitos pela Baixada Santista, para a tristeza e decepção de milhares de trabalhadores da região, com destaque os portuários.
 
São eles, os ex-prefeitos de Santos, Beto Mansur (PRB), João Paulo Tavares Papa (PSDB), além do ex-vereador de Guarujá, Marcelo Squassoni (PRB), que figuram entre os 296 deputados federais que aprovaram o texto da tal reforma articulada pelo Governo Temer e grandes caciques do segmento empresarial do país.
 
Para o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, o posicionamento dos políticos locais desagradou os trabalhadores portuários. "Não ouviram suas respectivas bases de votação, os trabalhadores e lideranças setoriais da região, ou seja, àqueles que praticamente os elegeram e isso certamente não será esquecido pela população."
 
Na avaliação do dirigente, os três protagonizaram uma "verdadeira traição" à sociedade e aos portuários. "Não esperávamos de forma alguma por esse ato de deslealdade, o que nos impõe uma profunda reflexão quanto à representação política da Baixada Santista em projeção a um cenário futuro, pelo qual temos mais do que nunca, a partir de agora, a obrigação de repensar determinados conceitos e melhor avaliar nossas opções quanto ao sagrado voto que é atribuído a milhares de companheiros que tiram, direta ou indiretamente, seu sustento do Porto de Santos."
 
O fim do recolhimento obrigatório do imposto sindical também foi criticado por Everandy Cirino. "Sob o ponto de vista institucional, trata-se de um grande revés para os trabalhadores considerando o enfraquecimento da maioria das organizações laborais, sem falar da provável diminuição do poder de mobilização, de negociação e representatividade, além de outros prejuízos", explicou. Em todo território nacional, o Sindaport é uma das poucas entidades sindicais que dispensa tal cobrança de seus associados.
 
No comando do sindicato majoritário dos empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), ele se diz desapontado com os rumos do país depois da aprovação da Lei de Terceirização e da Reforma Trabalhista. "Enquanto existir na classe política representantes que atuam contra os interesses dos trabalhadores, dos menos favorecidos e notadamente em favor da classes dominantes, estaremos sempre retrocedendo sob o ponto de vista econômico, social e acima de tudo moral", concluiu o presidente do Sindaport, lembrando que os trabalhadores ainda tem pela frente a Reforma da Previdência como derradeiro embate com o Governo e demais traidores.

Confira como votou cada deputado: