Fonte: A Tribuna On-line
Máquinas irão permitir que pessoa não "tenha que trabalhar para viver" e se dedique a outras atividades
No futuro, os robôs assumirão os empregos dos humanos e transformarão o modo de viver da sociedade. É o que prevê o criador da Campus Party, o espanhol Paco Ragageles, confiante de que, com a revolução do mercado de trabalho, "teremos o direito de ser felizes".
Se hoje as pessoas possuem a vida moldada pelo emprego - ou pela falta dele -, daqui a algumas décadas, quando as máquinas acabarem com os postos de trabalho, "poderemos dedicar a nossa vida à cultura, lazer, família, amor e amizade".
"Em 50 anos, não existirá um só trabalho que robôs e softwares não possam realizar melhor do que o humano", disse Paco, em uma palestra na noite da última quinta-feira (2), no palco principal da décima edição da Campus Party Brasil, em São Paulo.
Ele dá o exemplo de que, no futuro, as pessoas poderão produzir os próprios objetos. "Com o passar dos anos, a sofisticação e as impressoras 3D com capacidade para imprimir qualquer coisa com alta qualidade, o comércio se tornará defasado. O setor que mais emprega, somando produção, transporte e distribuição, será totalmente condenado à extinção".
Tem até uma maneira de saber qual a probabilidade de o seu trabalho ser substituído por robôs em um site criado a partir da BBC com a Universidade de Oxford (
veja).
Mas, se não houver trabalho, como os cidadãos pagarão suas contas? É aí que entra a nova sociedade imaginada por Paco.
"Há um processo adiante muito difícil, em que devemos encontrar um novo modelo de sociedade, em que possamos conviver com as máquinas e o dinheiro não exista. É difícil imaginar um mundo em que não se tenha que trabalhar para viver", disse o criador da Campus Party.
Melhor época
Para Paco, essa mudança irá permitir que as pessoas aproveitem a vida e representar "a melhor época da humanidade". "Agora nós mandamos crianças à escola para aprender uma profissão. No futuro, irão à escola para aprenderem a ser felizes e descobrirem o que querem fazer, não por salário, mas porque querem fazer. Teremos o direito de ser felizes".
Por isso, Paco entende que a sociedade tem a "obrigação moral" de criar um modelo no qual o sistema, "sem nenhuma vergonha, proteja as pessoas que ficarem sem trabalho".
O espanhol citou a polêmica em torno de programas sociais do Brasil, como o Bolsa Família, mas apontou que o salário universal é a solução para o futuro. Isso já é discutido em países como Canadá e Finlândia. Nos Estados Unidos, por exemplo, desde 1982 o Estado do Alasca dá uma remuneração mínima aos seus moradores, segundo a BBC Brasil. O "salário" sai de rendimentos de um fundo de investimentos de royalties do petróleo. "Deveremos usar a riqueza gerada pelas máquinas para distribuir entre toda a humanidade", defendeu Paco.
O principal desafio, segundo o espanhol, é aprender a gerenciar todo esse processo de transformação. "Precisamos conscientizar a população. Temos que reunir ideias. Não dá para ficar de braços cruzados, se não fizermos, os políticos não vão fazer".