Projeções para 2017
O presidente Alex Oliva revela que, de acordo com as projeções feitas com base na atual conjuntura e informações fornecidas pelos terminais portuários, o Porto de Santos deve atingir uma movimentação em torno de 120,596 milhões t em 2017. “Essa expectativa implicará em um aumento de 6,3% em relação ao resultado previsto para 2016”, afirma o presidente.
Para as exportações está projetado aumento de 8,2% (89,000 milhões t) e para as importações de 1,3% (31,596 milhões t). Os sólidos a granel ( 60,698 milhões t) devem apresentar desempenho 12,1% acima do verificado neste ano, os líquidos a granel (15,882 milhões t) de 1,2% e a carga geral (44,015 milhões t) de 0,9%.
Segundo o diretor Lofrano, esses números apontam para um novo recorde anual, suplantando o maior resultado anterior, obtido em 2015 (119,9 milhões t). De acordo com Lofrano, isso deve ocorrer, principalmente, por conta da previsão de uma nova marca histórica para a safra brasileira de grãos e um forte desempenho do açúcar. Além disso, explica o diretor, espera-se um aumento na oferta de infraestrutura para a movimentação dessas cargas em Santos, com a entrada em operação dos novos berços do Tiplan e a viabilização de investimentos pelos terminais portuários.
Para o segmento de contêineres há uma expectativa de recuperação diante do esperado aquecimento da atividade econômica no país. O Porto de Santos tende a se beneficiar, também, com o aumento previsto para a safra de grãos 2016/2017. Após uma retração, em torno de 10,7%, na safra anterior, em virtude da queda de 21,2% na safra de milho, as estimativas apontam para uma safra de grãos em torno de 214,8 milhões t (aumento de até 15,3% ante a safra anterior), caracterizando-se como um novo recorde histórico para o país. Beneficiada pela elevação dos preços, pela demanda internacional ainda elevada e por condições climáticas mais favoráveis, a safra nacional de soja deve apresentar novo recorde, com crescimento médio estimado de 9,0% (totalizando 104,0 milhões t).
A perspectiva para o milho é de significativa recuperação, com crescimento médio da produção estimado em 25,7% (totalizando 83,8 milhões t). Para a Região Centro-Oeste, origem de, aproximadamente, 70% da soja e 94% do milho escoados através de Santos, a perspectiva da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que a safra de grãos apresente crescimento em torno de 21%.
Para o açúcar é esperado um bom desempenho, tendo em vista a continuidade da trajetória de recuperação do preço dessa commodity nos mercados internacionais, em um cenário de oferta ainda insuficiente para atender a demanda.
As ótimas perspectivas para o agronegócio brasileiro favorecem também os desembarques de adubo, que tendem a continuar em sua trajetória de crescimento. Os graneis líquidos também tendem a apresentar desempenho positivo em relação a 2016.
Principais cargas
Carga Geral – Esse segmento de carga deve apresentar melhor desempenho neste ano, impulsionado pela perspectiva de retomada do crescimento na movimentação de contêineres e nos embarques de celulose e veículos.
Carga conteinerizada – Há uma expectativa de recuperação na movimentação dessas cargas, decorrente da esperada retomada do nível de atividade econômica no país. Estima-se aumento de 0,5%, permitindo chegar a 3,585 milhões teu.
Carga Solta – Espera-se um crescimento em torno de 5,8% para este segmento, que elevará sua movimentação para 3,575 milhões t, impulsionado pela retomada nas exportações de celulose e veículos.
Celulose – Vislumbra-se um cenário internacional de maior estabilidade no setor, com uma oferta mais ajustada à demanda. Dessa forma, estima-se que os embarques do produto totalizem cerca de 3,154 milhões t (+0,2%). O desempenho dessa carga poderá ser bem melhor caso a nova unidade da Fibria, em Três Lagoas (MS), comece a produzir no início do quarto trimestre de 2017, já que parte significativa dessa produção adicional deve ser exportada pelo Porto de Santos.
Veículos – Com a expectativa de maior dinamismo nas principais economias da América Latina, importante destino das exportações de veículos através do porto santista, espera-se um crescimento de 4,4% na movimentação de veículos em 2017, que deverá atingir 164.934 mil unidades. Será determinante para esse resultado o aumento de 5,0% previsto para as exportações (144.603 mil unidades). Já as importações devem se manter em patamar próximo ao atingido neste ano, com 20.330 mil unidades.
Líquidos a granel – Estima-se que as maiores variações absolutas positivas nessa modalidade ocorrerão por conta do álcool (1,398 milhão t), com +4,4%, e sucos cítricos (2,010 milhões t), +2,6%. Para o álcool a expectativa é de recuperação parcial nos embarques e para os sucos cítricos foi considerada a expectativa de ajuste adequado da oferta à demanda e uma taxa de câmbio mais benéfica às exportações brasileiras.
Óleo Diesel, Gasóleo – Espera-se para 2017 um crescimento próximo a 0,7%, totalizando 3,452 milhões t.
GLP – A expectativa é atingir 1,146 milhão t, 0,7% a mais que neste ano.
Óleo Combustível e Gasolina – Espera-se certa estabilidade para essas cargas, que devem totalizar volumes de, respectivamente, 1,515 milhão t (+0,7%) e 1,147 milhão t (+0,7%).
Sólidos a Granel - Diante das perspectivas favoráveis para a safra nacional de grãos e açúcar, espera-se uma forte recuperação para este segmento de cargas, principalmente, diante da expectativa do início das operações no terminal Tiplam e de novas melhorias estruturais nos terminais portuários.
Entre as principais mercadorias movimentadas, as maiores taxas de crescimento deverão ocorrer nas movimentações de milho (45,8%), soja em grãos (8,4%), açúcar (7,6%) e adubo (6,3%). Não há perspectiva de movimentação de minério de ferro e carvão enquanto a Usiminas mantiver suspensa a produção de aço na sua unidade de Cubatão.
Milho – Diante das expectativas apontadas no Segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2016/17 – Segundo Levantamento, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de um crescimento entre 24,9% e 27,1% na produção de milho nesta safra em relação ao ciclo 2015/16, devendo atingir entre 83,13 milhões t e 84,63 milhões t; para a colheita do maior estado produtor (Mato Grosso), de 21,64 milhões t (41,7% acima da safra anterior), e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de um crescimento de 54,5% nas exportações brasileiras do produto, que totalizariam 25,50 milhões t, estima-se que os embarques do produto recuperem parte da forte queda verificada em 2016, registrando crescimento em torno de 45,4%, atingindo cerca de 11,808 milhões t.
Açúcar – A expectativa de movimentação para o produto é de novo crescimento. A projeção da Organização Internacional do Açúcar (OIA) para o ciclo 2017/18, considerando um clima normal nos próximos 21 meses, é que a produção e consumo atinjam o mesmo patamar, encerrando o ciclo deficitário no setor. Ainda que os preços possam reagir negativamente, às perspectivas de equilíbrio da oferta e demanda mundial e os níveis criticamente baixos dos estoques seriam suficientes para cessar o efeito, segundo o relatório. É importante se considerar a ampliação da disponibilidade de estrutura para o escoamento de açúcar com o início das operações no Tiplan e de investimentos feitos pelos terminais. Considerando apenas a movimentação na modalidade granel, o crescimento estimado é de 7,6% em relação a 2016, atingindo 20,320 milhões de toneladas. Considerando também a movimentação de açúcar em contêineres, o produto deverá atingir um volume total de 22,114 milhões t, 7,1% acima do previsto para 2016.
Complexo Soja (soja em grãos e farelo) – As projeções apontam para mais uma safra recorde, graças ao clima favorável durante o plantio da oleaginosa. Conforme o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2016/17 – Segundo Levantamento (Novembro/2016) da Conab, a produção de soja na região Centro-Oeste deverá crescer entre 11,0% e 12,1%, enquanto para o Brasil a estimativa é de crescimento entre 6,5% e 8,5% (entre 101,60 milhões de t e 103,51 milhões de t). O USDA estima em 58,40 milhões t o volume das exportações brasileiras de soja na safra 2016/17, ficando 7,4% acima do volume estimado para este ano (54,38 milhões de toneladas).
Diante desse cenário, estima-se que passem pelo Porto de Santos cerca de 20,138 milhões t de produtos do complexo soja, um crescimento de 6,5% acima do previsto para 2016. Desse total, cerca de 15,638 milhões t serão de soja em grãos, crescimento de 8,3%, e 4,500 milhões t de farelo de soja, aumento de 0,7%.
Adubo – As perspectivas apontam que os preços devem se manter estáveis e a demanda crescente, relacionada à expansão de áreas agrícolas. Assim, estima-se um crescimento em torno de 6,3% em 2017, chegando a 3,565 milhões t.
Fluxo de Navios - Para 2017 é esperada a continuidade das intervenções, objetivando a manutenção da profundidade do canal e a adaptação dos berços de atracação. Há, também, uma expectativa de forte incremento nos embarques de sólidos a granel (especialmente milho, soja e açúcar), o que tende a elevar a consignação média dos navios. Assim, estima-se que o fluxo de navios crescerá 1,4%, enquanto a consignação média se elevará para o patamar de 25.397 t por navio (alta de 2,2% em relação a 2016).