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04/10/2016 - 02h06

Sigla é 'limada' no interior e litoral


Fonte: Valor Econômico
 
Esperança do PT no Estado de São Paulo, Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff, confirmou o favoritismo e ganhou a eleição em Araraquara, no interior, ao obter 41,71% dos votos válidos, num pleito em que as cidades paulistas "limaram" o partido. Silva venceu sua ex-mulher, a candidata do PSDB, Edna Martins, que teve 28,93% dos votos válidos. Araraquara não tem segundo turno.
 
O desempenho de Silva, contudo, ficou abaixo do que apontavam as últimas pesquisas. "A minha percepção é que está crescendo um sentimento que vai fazer o voto útil ir para a Edna. Ao final da eleição as distâncias não serão tão grandes quanto pareciam", anteviu, na sexta-feira, o coordenador do laboratório de política e governo da Unesp, Milton Lahuerta, em entrevista ao Valor.
 
Para o especialista, os votos em Silva vieram das gestões que ele já fez em Araraquara - onde foi prefeito duas vezes -, da proximidade com "certa elite da cidade", e de um sentimento da "juventude indignada" com o impeachment da presidente Dilma.
 
Em Santos, no litoral paulista, o prefeito do PSDB, Paulo Alexandre Barbosa, se reelegeu com 77,74% dos votos válidos, confirmando todas as previsões. Em segundo lugar ficou Carina Vitral, do PCdoB, com 6,61% dos votos válidos.
 
O coordenador do Instituto de Pesquisas A Tribuna (Ipat), Alcindo Gonçalves, atribui o resultado a dois fatores. Com exceção de áreas de pobreza circunscritas, Santos é uma cidade sem grandes problemas. E as candidaturas de oposição não foram capazes de se credenciar de maneira efetiva como alternativas.
 
"A Carina Vitral é uma moça jovem, sem experiência, sem tradição política, não tem relação com a cidade e que sofre o drama de ser da esquerda identificada ao PT", afirma Gonçalves.
 
É a primeira vez desde 1984, quando Santos retomou a autonomia política e administrativa, que o PT não teve candidato próprio na cidade. Dessa vez, apoiou Carina Vitral, santista de nascimento e que se notabilizou por ter um discurso de luta nacional como presidente da UNE.
 
Na contramão, São Vicente, cidade vizinha a Santos, enfrentou greves do funcionalismo por falta e atraso de pagamento, com suspensão de serviços básicos, como coleta de lixo e atendimento hospitalar. Não por acaso o prefeito Luís Cláudio Bili (PP), com altos índices de rejeição, não se candidatou. Pedro Gouvêa (PMDB) foi eleito no 1º turno, com 50,46% dos votos válidos, seguido por Kayo Amado (Rede), com 28,10%.
 
O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), foi reeleito com 65,43% dos votos válidos. O candidato do PSD, Artur Orsi, apareceu em segundo lugar com 15,43%. Marcio Pochmann, do PT, ficou em terceiro, com 15,04%.
 
A eleição em Ribeirão Preto, também no interior paulista, vai para o segundo turno. Duarte Nogueira (PSDB) ficou com 39,86% dos votos válidos e vai disputar a prefeitura com Ricardo Silva (PDT), que teve 27,86% dos votos válidos já apurados.
 
No Vale do Paraíba, a cidade de São José dos Campos elegeu no 1º turno o candidato do PSDB, Felício Ramuth. O tucano recebeu 62,22% dos votos válidos - um total de 219.511 votos - e desbancou o atual prefeito e candidato à reeleição, Carlinhos Almeida (PT). O petista ficou com 21,63% dos votos válidos - ou 76.327 votos. O número de abstenções foi de 19,37%. Os votos em branco somaram 3,51% e os nulos, 6,94%.
 
Ex-ministro dos Portos no governo Dilma Rousseff, o candidato do PMDB, Edinho Araújo, foi eleito prefeito em São José do Rio Preto, interior paulista, com 52,26% dos votos válidos, já no primeiro turno. Em segundo lugar na disputa, Orlando Bolçone (PSB), terminou com 32,2%.
 
Em Bauru, Clodoaldo Gazzetta (PSD) e Raul Gonçalves Paula (PV) disputarão o segundo turno. Gazzetta teve 45,53% dos votos válidos e Raul, 30,61%. Houve 22,51% de abstenções.