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28/09/2016 - 05h25

Comissão interna vai apurar vídeos envolvendo a Codesp


Fonte: A Diretoria, com AssCom Sindaport / DCG


 
Preocupado com a repercussão nacional provocada pela circulação de dois vídeos envolvendo um de seus assessores, o sempre atento presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Alex Oliva, assinou Resolução nomeando uma comissão para apurar responsabilidades sobre a edição e veiculação do material.
 
Amplamente divulgados nas redes sociais com o sugestivo titulo "Lava Jato Guarujá", os vídeos mostram o ex-assessor de Alex Oliva, Carlos Antônio de Souza, descrevendo supostas transações envolvendo o Porto de Santos e a própria Codesp, administradora do complexo.
 
Chamado de Carlinhos no meio da gafanhotagem que insiste em habitar a Codesp, o desconhecido apadrinhado do deputado federal Marcelo Squassoni (PRB/SP) acabou ganhando rápida notoriedade, porém, da maneira mais constrangedora e vergonhosa possível, cujos resquícios dos malfeitos e negociatas narradas nas publicações virtuais atingiram em cheio o político guarujaense e, de quebra, a Autoridade Portuária local.
 
Vale lembrar que, tal qual seu afilhado, Squassoni também ganhou as manchetes na mídia nacional, ao melhor estilo do extinto e lendário jornal Notícias Populares, depois de ser acusado, por um empresário de Guarujá, de utilizar notas fiscais frias para justificar gastos parlamentares. 
 
Não se sabe se por ordem superior, e presumidamente jamais se saberá, o fato é que ao se ver famoso, mesmo na condição de vilão, o afilhado de Squassoni e protagonista dos vídeos imediatamente se juntou a tantos outros que saíram ou foram saídos pela porta dos fundos da Codesp. Sem deixar saudade, saiu de cena batendo as indefectíveis asas para bem longe do Porto.
 
Contudo, ao contrário de tantos outros gafanhotos o tal Carlinhos se vai deixando um importante legado cujo vídeo, apesar da péssima qualidade, revela o tamanho da desfaçatez, da falta de ética e do escárnio que ao longo dos últimos anos transformaram a Codesp em um dos mais cobiçados balcões empregatícios do Poder Público. 
 
Nesse sentido, nota-se que a relação padrinho x afilhado vem se especializando cada vez mais em busca de interesses mútuos, obtidos através de transações obscuras baseadas em troca de favores políticos, ações e gestões viciadas e nada transparentes, típicas dos que negociam ao arrepio da boa ordem, da legalidade e do interesse público.
 
Com efeito, nota-se que as negociatas ficam evidentes sobremaneira pela citação de que o grupo do deputado federal vem agindo com interesse de levar vantagem em vários contratos celebrados pela Codesp, com destaque para os que tratam da Tecnologia da Informação (TI), da digitalização de documentos e da interminável novela "dragagem".
 
Aliás, tamanho é o despropósito que mesmo admitindo não possuir conhecimento algum no seguimento portuário, o afilhado de Squassoni aparentemente se atreve a mencionar tratativas que envolvem a complexa, interminável e insolúvel dragagem no complexo santista, algo improvável até mesmo para Poseidon e/ou Netuno, que disputam a supremacia dos mares através das mitologias grega e romana.
 
Sem querer entrar no mérito da veracidade dos vídeos, o que fica claro para o mais simples e mortal portuário é que o autor da denúncia virtual, a despeito das manifestações e imagens deliberadamente editadas, tinha plenos conhecimentos sobre os assuntos abordados, inclusive dos valores publicados no DOU referentes aos contratos de TI e digitalização de documentos.
 
Diante desse cenário absolutamente nebuloso, tornam-se imperiosos alguns esclarecimentos por parte da Codesp, sobretudo os que se referem ao total de indicados pelo deputado federal Marcelo Squassoni que seguem ocupando estratégicas e bem remuneradas boquinhas criadas na empresa, única e exclusivamente para tal finalidade, elo e aconchego.
 
Além disso, torna-se imprescindível e mais que oportuna a imediata suspensão dos contratos celebrados pela Codesp, os quais foram citados nos vídeos. Tanto quanto premente o chamamento da Polícia Federal para auxiliar a comissão interna criada pelo meticuloso e zeloso presidente da estatal.
 
Por derradeiro, importante destacar que a resolução da Codesp apresenta a nomeação, como presidente da comissão interna, o delegado aposentado da Polícia Federal, Luís Alves Feitosa. Trata-se de profissional altamente qualificado, entretanto, não atende um requisito fundamental exigido no âmbito da Administração Pública, ou seja, não é funcionário de carreira, o que o impede de exercer tal designação. 
 
Apesar das boas intenções e da ressalva que alerta para os riscos da legitimação de Alves Feitosa, escolhido por Alex Oliva para o papel de “Eliot Ness”, espera-se que o trabalho de investigação do seleto grupo, cujos integrantes já foram alcunhados pelos corredores da Av. Rodrigues Alves s/nº de "Os Intocáveis", alcancem os objetivos traçados atribuindo por fim as devidas responsabilidades a quem quer que seja, padrinhos e apadrinhados, se for o caso,  e demais "Al Capones" de plantão, para que.sejam punidos com o rigor da lei.