Fonte: Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

Qualquer administrador que se preze, independentemente da área de atuação, ao assumir determinado desafio tem sempre a dura missão de desenvolver estudos e projetos, os quais, por questões óbvias, são seguidos de ações associadas, coesas e acima de tudo objetivas.
Entretanto, para que a empreitada decorrente do desafio assumido seja coroada de absoluto êxito, ou algo pelo menos próximo disso, é necessário o estrito cumprimento dos planos previamente traçados, sobretudo se foram anunciados publicamente com todas as letras e à luz dos holofotes e flashes possíveis da mídia especializada.
Mais do que isso, são necessários conhecimentos técnicos e acadêmicos, além dos naturais, sem deixar de mencionar os sempre bem-vindos, providenciais e úteis, adquiridos ou extraídos de subordinados.
Mais do que isso, ainda, é preciso competência, liderança, de preferência nata, seguida das correlatas habilidades e atitudes, afinidade com a empresa e qualidades específicas para o cargo, de preferência com a devida autonomia para exercê-lo. Devida e justa, é bom que se diga.
Sim, porque alegar impossibilidade de gestão e de efetiva ação diante dos temas mais relevantes de uma empresa, com destaque para o seu material humano como um todo é, notadamente, a forma mais camuflada possível de se justificar uma já manjada ausência de autonomia.
A mesma autonomia que, de maneira estranha e injustificada, é permitida para gestões e ações contrárias aos interesses dos empregados, principalmente aos que dedicaram a vida ao trabalho e reúnem invejável histórico de serviços prestados.
Nesse sentido, fica mais que evidente o mau exemplo dado pelo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Alex Botêlho de Oliva, que opta por uma postura ambígua e duvidosa, considerando a disparidade entre o discurso e a prática.
Desta forma, sua gestão à frente da Autoridade Portuária local está aquém até mesmo da atribuída à Elizabeth II, Rainha da Inglaterra, país que fica a 9.560 km de distância do Porto de Santos, em linha reta, segundo o portal
Brasil Sabido. Good save the Queen!!!!!
No cargo desde 9 de novembro de 2015, Botêlho tem seguramente um
currículo exemplar e invejável. É mestre em Engenharia Oceânica, “Comendador” da Ordem de Mérito Militar e Mérito Tamandaré, mestre em Engenharia, Transportes e Logística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além disso, foi superintendente na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), secretário no Ministério dos Transportes, e professor na conceituada Fundação Getúlio Vargas.
Em que pese suas excelentes e reconhecidas qualificações, a direção do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária entende que o executivo vem pecando em alguns pontos na administração da estatal portuária:
1º equivoco administrativo
O Sindaport entende que, tanto na administração pública como na iniciativa privada, de extrema relevância é o reconhecimento dado aos seus colaborares, servidores ou empregados.
O atual presidente, ao que parece, não vem dando o devido valor aos empregados mais antigos da Codesp, provocando a insatisfação e o descontentamento no ambiente de trabalho.
Sempre que se refere a esses colaboradores, pauta seus comentários em críticas desfavoráveis e desestimuladoras. Ainda que de maneira educada, alega uma certa acomodação e pouca contribuição com a empresa, além de uma suposta falta de interesse na
busca pela evolução profissional, e etc.
"Considerando que essas pessoas, muitas delas com trinta anos ou mais no quadro de empregados, dedicaram mais da metade de suas vidas à empresa, são merecedoras do devido valor e respeito pelo rico histórico de contribuição", disse o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
2º equívoco administrativo
O mandatário da Codesp vem realizando uma verdadeira “dança das cadeiras” e promovendo o afastamento de profissionais com larga experiência nas atividades portuárias.
Para o sindicalista, Botêlho esta cometendo equívocos sucessivos. "São companheiros com conhecimento pleno de suas respectivas atividades, e ainda que as mudanças sejam atribuições inerentes ao empregador, elas estão gerando muitas reclamações e preocupações".
Segundo Cirino, ao invés de valorizar o quadro de empregados, Botêlho optou por nomear como assessores quatro pessoas sem qualquer relação com a empresa, chegando ao ponto de nomear a ex-dançarina do cantor Latino, Daniele Elise Rodrigues, que acabou
exonerada mesmo antes de assumir, considerando a repercussão do caso após denúncia do Sindaport.
Na avaliação do dirigente, a administração atual está longe das expectativas. "Um bom administrador de empresa pública deveria ter a seu lado um empregado de carreira com largo conhecimento do regimento interno, regulamento, estatuto, leis e etc., que possa lhe auxiliar em questões específicas do dia a dia".
O sindicalista denuncia que as mudanças provocaram aumento de despesas com pessoal. "Ao destituir empregados do quadro de carreira ele simplesmente aumentou a folha de pagamento com nomeações de livre provimento. Antes de sua posse eram 18 os cargos, atualmente são 23".
E continua: "Aumentou a folha pois, muitos dos empregados, em razão do tempo em que ocuparam os cargos, embora exonerados, seguem com as vantagens financeiras, uma vez que tais valores já estão incorporados aos seus salários. Assim, a empresa paga aos exonerados e aos novos nomeados", explicou.
3º equívoco administrativo
A empresa sempre teve, em seu departamento jurídico, profissionais de reconhecida competência, não havendo a necessidade de contratação de pessoal externo.
"O presidente da Codesp tem que entender que o respeitamos como ser humano, bem como seu alto grau de formação acadêmica, porém não podemos concordar com algumas medidas de gestão", reclamou o líder sindical.
Para Cirino, a empresa não pode prescindir do conhecimento dos profissionais destituídos por Botêlho. "A Codesp não pode abrir mão da contribuição de um engenheiro como o doutor Aluísio, o segundo empregado mais antigo e um dos baluartes da empresa, assim como da companheira Luci, com mais de 20 anos de secretariado, Álvaro, Armando, Célia, Tertulina, Valderir, Carlos Alberto (Cacá) e outros".
Representante majoritário dos empregados da estatal portuária, o sindicalista assevera que os portuários substituídos construíram uma trajetória de sucesso e se tornaram ao longo dos anos verdadeiras referências internas e em nível nacional. "Todos de extrema importância para a saúde administrativa e operacional da Codesp", disse Cirino, que também avalia a adoção de medidas por parte do Sindaport para defender os interesses dos trabalhadores.
Além isso, admitiu que as relações entre as direções do Sindicato e da Docas paulista estão estremecidas em razão das recentes medidas adotadas. "Ao invés de destituir, deveriam agradecer, preservar e homenagear esses funcionários", afirmou o dirigente.
4º equívoco administrativo
Com relação à dragagem, aditou no contrato do trecho 1 os trechos 2, 3 e 4 sem o parecer da AGU.
5º equívoco administrativo
Passados 60 dias não há qualquer definição sobre a nomeação do diretor de Administração e Finanças da empresa.
"Apesar de todos esses fatos, e ainda outros que sabemos existir, o presidente insiste em alardear a existência de um complô por parte deste presidente para derrubá-lo", afirmou Cirino.
Sobre isso, o líder do Sindaport é enfático: "Será que um executivo com tão larga experiência não consegue perceber que, se há alguém responsável pela sua derrocada, esse alguém é ele mesmo", comentou, sugerindo a Botêlho a leitura do clássico "A Arte da Guerra", do general Sun Tzu.
"O livro dos livros apresenta cinco princípios que ajudarão a vencer uma batalha ou uma guerra, isso se forem devidamente seguidos, o primeiro é saber quando combater e quando bater em retirada; o segundo é saber lidar com o pouco e o muito, segundo as circunstâncias; o terceiro é compor habilmente suas fileiras; o quarto nos ensina que devemos estar prontos para adversidades, e jamais subestimar o inimigo, mesmo que o mesmo aparente ser mais fraco, poderá ser uma armadilha; e finalmente o quinto que diz, saber manter o soberano em seu lugar, pois a intromissão de um soberano despreparado na arte da guerra, poderá se tornar um equívoco", concluiu Cirino.
"A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota."
Sun Tzu