Notícias
17/05/2016 - 07h27

Portus: seis por meia dúzia ou meia dúzia por seis?


Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio

 
Oitenta e três dias. Esse foi o tempo que o agora ex-interventor José Pereira Filho permaneceu à frente do Instituto de Seguridade Social - Portus. À exemplo de seus antecessores ele deixa o cargo que ocupou de forma figurativa em termos práticos, tornando-se mais um interventor sem nunca ter sido já que a situação da entidade dos portuários segue inalterada.
 
No cargo desde 22 de fevereiro deste ano, Pereira Filho foi exonerado no último dia 12 pela sempre eficiente Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), que mais uma vez resolveu inovar ao nomear o quarto interventor federal, de nome Luis Gustavo da Cunha Barbosa.
 
Ao deixar o posto menos de três meses depois de assumi-lo, Pereira Filho acompanhou o staff da presidente eleita Dilma Rousseff que desembarcou do Governo na mesma data em decorrência do impeachment atribuído injusta e sorrateiramente à mandatária.  
 
Habituado às sucessivas trocas na entidade desde o início da auditoria, o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, lamentou a nova substituição. "A descontinuidade administrativa falou mais alto outra vez, considerando que o camarada não teve tempo nem de esquentar a cadeira sendo sacado antes mesmo de completar noventa dias no cargo, e assim fica realmente muito difícil".  
 
Para o dirigente, os atuais governantes do País poderão trazer novos horizontes para a salvação definitiva da instituição. "Levando-se em conta que estão mesmo vendendo terreno na Lua e prometendo colocar o ovo da economia nacional em pé, é natural que as esperanças dos beneficiários e assistidos se renovem diante do longo impasse, e neste caso tanto faz quem seja o interventor". 
 
Publicada no Diário Oficial da União do último dia 12, a nomeação é a quarta na linha sucessória intervencionista, que teve início em agosto de 2011 quando o Governo resolveu colocar a carroça na frente dos bois e assumir o comando do Portus sob o pretexto de que o ato seria necessário para a retomada do equilíbrio financeiro do Instituto.
 
Vale lembrar que o primeiro a puxar a tal carroça foi José da Silva Crespo. Um ano e três meses depois, a Previc fez chover no molhado e o substituiu por Maria Batista da Silva, assim como apostou na política do seis por meia dúzia trocando-a por José Pereira Filho em fevereiro deste ano.
 
Espera-se, portanto, que a gestão da nova aposta da Previc seja mais objetiva, profícua e acima de tudo competente, de forma a atender em sua plenitude os interesses dos mais de 10 mil participantes, que nada mais é do que uma solução definitiva, contábil, atuarial e financeira, do há tempos combalido Portus. 
 
Porque se assim não for, a intervenção que se inicia terá sido apenas mais um fiasco administrativo intervencionista e tão somente uma troca pífia e inversa à anterior, ou seja, meia dúzia por seis.