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17/05/2016 - 07h06

Presidente do PT chama Temer de 'usurpador' e convoca 'reação ao golpe'


Fonte: Folhapress 
 
"Mal começou e o governo usurpador confirma o que já prevíamos", escreveu o presidente petista.
 
Em texto divulgado nesta segunda-feira (16), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, classificou o governo interino de Michel Temer de "usurpador" e convocou uma "reação popular" ao que chama de "golpe" contra o mandato de Dilma Rousseff.
 
"Mal começou e o governo usurpador confirma o que já prevíamos", escreveu o presidente petista.
 
Segundo ele, Temer tem disposição para "avançar em privatizações, rever políticas sociais e de reforma agrária, bem como acabar com o multilateralismo da política externa brasileira".
 
"Num ministério sem mulheres e negros, com vários ministros investigados por corrupção, a revogação de direitos não se resume à reforma da Previdência, com fixação de idade mínima", completou Falcão.
 
O texto reflete a tônica das discussões que vão permear as reuniões em Brasília da executiva e do diretório nacional do PT, nesta segunda (16) e terça-feira (17), respectivamente.
 
É a primeira vez que a cúpula da legenda se reúne após o afastamento de Dilma e quer traçar um plano de oposição ao governo Temer e de mobilização para a defesa do mandato da presidente agora afastada.
 
Convidado para o encontro de terça, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que não comparecerá ao evento. Segundo aliados, Lula está muito cansado e "quer se preservar".
 
Uma das propostas que deve ser discutida nas reuniões é que, para as eleições municipais deste ano, o PT só feche aliança com partidos que não estejam na base do governo Temer e que se posicionem, inclusive, contra a gestão do peemedebista.
 
Falcão ainda acusa Temer de ameaçar retaliar as entidades, partidos e movimentos sociais que "se opõem ao golpe" e convoca-os para uma "reação popular".
 
Para o dirigente petista, é preciso fazer uma "oposição firme e consistente" e diz que o PT "continuará alinhado com os partidos, frentes e movimentos do 'Não ao Golpe. Fora Temer!', participando e organizando atos, eventos e manifestações em defesa da democracia, da Justiça e do Estado de Direito".
 
A reunião da executiva, nesta segunda em Brasília, reúne Falcão e outros dirigentes da cúpula petista e é uma espécie de preparação para o encontro de terça, do diretório nacional, que contará com os 84 integrantes da instância partidária, além de governadores e ex-ministros da legenda.
 
Confira a seguir a íntegra do texto:
 
"Mal começou e o governo usurpador confirma o que já prevíamos. Em sua primeira entrevista -e na de alguns ministros- o presidente interino anuncia a disposição de avançar em privatizações, em rever políticas sociais e de reforma agrária, bem como de acabar com o multilateralismo da política externa brasileira, retornando à dependência dos Estados Unidos.
 
Num ministério sem mulheres e negros, com vários ministros investigados por corrupção, a revogação de direitos não se resume à reforma da Previdência, com fixação de idade mínima.
 
Transparece também na fala do interino da Fazenda, quando informa que pretende desobrigar União, Estados e Municípios de investirem os percentuais mínimos de recursos na saúde e na educação. O desmonte da seguridade social (saúde, assistência social e previdência) faz parte do programa neoliberal "Uma Ponte para o Futuro".
 
Causam indignação, ainda, as ameaças de retaliação às entidades, partidos e movimentos que se opõem ao golpe. CPI e retomada do prédio da UNE, cancelamento de recursos para o MST, sufocamento dos blogueiros e aí por diante, a revelar o caráter repressivo dos ocupantes provisórios do Planalto.
 
A reação popular ao golpe continua e as manifestações de protesto e denúncia devem prosseguir. Nas instituições, a oposição firme e consistente deve combinar uma pressão de convencimento aos senadores, a fim de que não convalidem, no exame do mérito, um impeachment sem base legal, repudiado inclusive por milhares de juristas, por governos progressistas e por veículos da mídia internacional.
 
O PT continuará alinhado com os partidos, frentes e movimentos do "Não ao Golpe. Fora Temer!", participando e organizando atos, eventos e manifestações em defesa da democracia, da Justiça e do Estado de Direito.
 
Rui Falcão".