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07/01/2016 - 02h29

Crise encurta orçamento e faz contas de começo de ano ficarem pesadas


Fonte: O Estado de S. Paulo
 
Desemprego, inflação elevada e crédito caro impõem novos desafios ao consumidor; pagar contas à vista ainda é melhor opção para não se endividar
 
O conselho dado por todos os especialistas financeiros, de começar o ano com as contas em dia, ficou mais difícil de ser seguido em 2016 devido à alta dos preços e do desemprego e do crédito caro. Analistas acreditam que as contas de janeiro, como impostos e rematrícula escolar, devem pesar mais neste ano por conta do cenário econômico. A Boa Vista SCPC já espera um aumento da inadimplência nos próximos meses.
 
“As linhas de crédito estão mais difíceis do que há um ano e houve deterioração do poder de compra. Esses dois grandes motivos vão dificultar o que normalmente já é pesado para o consumidor: as contas de janeiro”, diz o diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti. Ele lembra que os salários vinham tendo ganho real até 2014, mas que desde então têm perdido para a inflação, que deve fechar 2015 com alta de mais de 10%.
 
O terceiro fator que assombra as famílias é o desemprego. “Geralmente, o brasileiro saia de dezembro com uma renda extra do 13º salário, comissão de vendas ou até de um emprego temporário”, comenta o CEO do GuiaBolso, Thiago Alvarez. A situação atual é bem diferente: o desemprego subiu, as vagas temporárias secaram e as comissões acompanharam a queda das vendas e diminuíram.
 
Economista da Boa Vista SCPC, Flávio Calife comenta que historicamente há um aumento da inadimplência nos meses de abril e maio e que em 2016 o fenômeno deve voltar a ocorrer, pois o orçamento anda apertado e alguns itens, como matrícula escolar, serão reajustados pela inflação. Atualmente, a taxa de inadimplência de pessoas físicas está em 5,8%, segundo o Banco Central.
 
A boa notícia é que, em média, o valor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em São Paulo ficou 3,3% mais barato neste ano, aponta uma pesquisa da Fipe. A crise no setor automotivo fez o preço dos carros cair, impactando o imposto, que representa entre 1% e 4% do valor do veículo.
 
Forma de pagamento. Assim como em outros anos, o pagamento de impostos à vista tem desconto. No caso do IPVA em São Paulo, o proprietário do veículo pode pagar à vista e ter um abatimento de 3% ou parcelar o montante em três vezes, mas pagando o tributo integral. Em alguns Estados, o desconto chega a 10%. Se optar por parcelar, o pagamento varia conforme a placa do veículo (a primeira parcela de carros com final 1 já vence na próxima segunda-feira, dia 11). No Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) da cidade de São Paulo, o desconto é de 5%. Se parcelar, o valor pode ser dividido em dez vezes.
 
Mas se houver sobra de dinheiro e a quantia não for comprometer o orçamento, a opção mais indicada é pagar em uma única parcela para começar o ano sem dívidas. A alternativa seria parcelar o imposto e tentar aplicar o dinheiro em um investimento seguro e com retorno superior ao desconto oferecido. Ou seja, algo que rendesse mais de 0,9% ao mês.
 
A caderneta de poupança não é opção, já que paga bem menos que essa taxa. Mas especialistas afirmam que, com a alta do juro e a renda fixa mais interessante, é possível encontrar aplicações com esse retorno. O que ocorre na prática, porém, é que as pessoas não são disciplinadas. “O consumidor parcela e depois na hora de pagar vê que não investiu o dinheiro, gastou em outras coisas”, diz Alvarez.
 
Para a Boa Vista, a decisão entre pagar à vista e parcelar deve ser mais orçamentária do que financeira. “O pagamento à vista vale a pena, mas se a pessoa achar que o desembolso do dinheiro de uma só vez vai comprometer outros pagamentos, que vai ficar apertado, o melhor é parcelar para não ficar inadimplente ou ter de recorrer ao crédito”, afirma Calife.
 
Nos casos mais graves, em que o consumidor não consegue pagar a conta nem mesmo parcelando, créditos caros como o cheque especial devem ser evitados. O ideal é optar pelo financiamento mais barato, como o consignado. O último levantamento do Banco Central, de novembro, aponta para um juro de 28,4% ao ano do consignado, ante uma taxa de 287,8% do cheque especial.