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14/12/2015 - 03h43

Assembleia decide pelo estado de greve


Fonte: AssCon Sindaport / Denise Campos De Giulio


Reunidos em assembleia realizada na noite deste domingo (13), os empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) decidiram por maioria de votos decretar ESTADO DE GREVE em protesto contra a implantação do turno de 6 horas, a partir desta segunda feira (14). Paralelamente, a categoria também decidiu pela continuidade das negociações.
 
Com o auditório do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) praticamente lotado, a concorrida assembleia realizada em conjunto com o Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport) começou de forma bastante tensa em razão dos delicados e importantes temas pautados para o encontro.
 
A celeuma teve início na última quinta-feira (10), quando a direção da Codesp emitiu comunicado informando a alteração na jornada de trabalho de uma parcela significativa dos colaboradores. De imediato, a medida afeta diretamente o pessoal que atua nas áreas da fiscalização, atracação, amarração, meio ambiente e infraestrutura (elétrica).
 
"Apesar da redução da carga laboral de oito para seis horas diárias, a insatisfação dos trabalhadores reside na perda do ganho final da remuneração, já que o motivo alegado pela empresa com o novo horário seria o de reduzir a folha de pagamento eliminando o número de horas extraordinárias trabalhadas pelos companheiros", explicou o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
 
Diante de uma categoria notadamente insatisfeita e preocupada, com alguns integrantes claramente tomados pela mais absoluta emoção nas várias manifestações, coube ao dirigente sindical manter a serenidade necessária para alertar sobre os riscos e consequências que uma greve poderia trazer para a categoria. "Seria muito mais fácil para a diretoria do Sindaport acatar o sentimento inicial manifestado pela assembleia e defender uma paralisação já nesta segunda-feira, mas temos que ser sensatos e agir com cautela, responsabilidade e, sobretudo, com a razão, avaliando rigorosamente os prós e contras numa decisão dessa natureza", afirmou.
 
Cirino ressalta que ao longo de sua extensa trajetória de militância sindical conduziu inúmeros movimentos paredistas na estatal portuária que culminaram com a suspenção das atividades no Porto de Santos e com a consequente vitória da classe trabalhadora. Por outro lado, fez questão de lembrar que nas últimas décadas a diretoria do Sindaport jamais levou a categoria a decretar uma greve sabendo das possíveis consequências negativas. "A experiência nos indica que as situações mais difíceis, como a que vivemos agora por conta dessa decisão da Codesp, devem ser tratadas com sabedoria, prudência e acima de tudo muita reflexão, principalmente sob o ponto de vista coletivo.
 
Por oportuno, o departamento jurídico do Sindaport prestou os devidos esclarecimentos, ressaltando que a implantação do polêmico turno laboral é uma liberalidade administrativa e legítima atribuição da empresa, motivo pelo qual fatalmente levaria a Justiça do Trabalho a julgar ilegal a greve.
 
A explanação acabou gerando debates acalorados, que levaram o presidente do sindicato a submeter ao plenário a proposta de uma "greve", sua forma, periodicidade e data de início, e uma segunda alternativa que consistiu na decretação de um "estado e greve" mediante a continuidade das tratativas junto a Codesp objetivando estabelecer critérios e mecanismos que reduzam as perdas dos trabalhadores, restando aprovada por maioria de votos a segunda opção.
 
Como consequência da decisão, a categoria aprovou que as negociações sejam estendidas para o pagamento da hora de repasse, adicional de turno, e Plano de Desligamento Voluntário (PDV), além do novo turno de 6 horas. Nesse sentido, acompanhado do presidente do Sintraport, Claudiomiro Machado, Cirino viaja para Brasília na próxima quarta-feira (16) para se reunir com o titular da Secretaria de Portos (SEP), Helder Barbalho 
 
Por derradeiro, a assembleia também deliberou que serão respeitados os horários de turnos de 6 horas propostos pela empresa. No entanto, a marcação de ponto eletrônico para o lanche e acréscimo de 15 minutos nas jornadas não serão feitos pela categoria, restando apenas os horários de 7 às 13; 13 às 19; 19 à 01 e 01 às 07.