Imagens gravadas por jornalista de sindicato mostram ação da PM em protesto
Fonte: A Tribuna On-line
Sindicalista foi preso ontem durante ato em frente à Usiminas
A Reportagem de A Tribuna On-line teve acesso, na manhã desta quinta-feira (12), às imagens que haviam sido apagadas do equipamento do jornalista Victor Martins, que trabalha para a Intersindical. Na quarta-feira (11), ele foi preso com outros dois líderes sindicais durante o ato realizado em frente à Usiminas, em Cubatão.
Em conversa com A Tribuna On-line, ele contou que estava gravando a prisão de um dos diretores quando recebeu voz de prisão. “Levaram meu equipamento e apagaram as imagens”.
No material, divulgado pelo jornalista em uma conta no YouTube, após ter sido recuperado com a ajuda de um software, é possível ver o corre-corre e o pânico após a entrada de um dos ônibus à siderúrgica, em frente ao portão anexo à entrada principal. Para dispersar os manifestantes, policiais são flagrados disparando bombas de gás de efeito moral e spray de pimenta.
Enquanto policiais formam uma barreira em frente à unidade, impedindo a aproximação dos manifestantes, um sindicalista é preso. Toda ação é gravada pelo jornalista, que é abordado por um soldado da Polícia Militar. Ele afirma estar só filmando o ato e recebe voz de prisão. “Eu tenho direito de filmar”, afirma Victor Martins, que permanece registrando todo o tumulto em frente à Usiminas.
Após registrar a prisão de um segundo representante da Intersindical, ele volta a ser abordado por um soldado da PM. “Você vai junto porque é testemunha”, afirma o policial.
Indignado, ele volta a alegar ser jornalista, mas quando é questionado sobre o jornal em que trabalha, e afirma atuar no sindicato, recebe voz de prisão. “Você filmou. Sua câmera é prova”, afirmou.
Os sindicalistas detidos na manifestação ficaram duas horas depondo no 1º DP de Cubatão. Ao sair, eles não conseguiam entender o que aconteceu.
Outro lado
Procurada pela Reportagem ontem, a Polícia Militar (PM) afirma que a ação na Usiminas foi positiva, feita dentro da legalidade e sem excessos. Para o coronel Ricardo Ferreira de Jesus, comandante da PM na Baixada Santista (CPI-6), a intervenção seguiu protocolos de uso da força.
“Tinha uma ordem judicial para que não houvesse impedimento dos cidadãos ao trabalho. Houve uma negociação e uma posição intransigente (dos manifestantes) por meio de bloqueio do acesso. A desobediência à ordem legal resultou em uso escalonado da força”, diz.
O comandante confirma que os integrantes do protesto não agrediram os policiais. “Não houve contato físico entre policial militar e qualquer cidadão na forma direta. Usamos agentes químicos não letais e já houve a dissipação do movimento”.
Segundo ele, as três prisões feitas no local foram necessárias por crime de desobediência. “Respeitada a integridade física, após o registro formal, eles foram colocados em liberdade. O ato foi legal”.
Sobre os PMs apagarem as imagens feitas pelo jornalista do sindicato, o comandante afirma que isso precisa ser provado. “Se a máquina foi apreendida pelo delegado pode ser submetida a uma perícia para a materialização dessa alegação”.