Fonte: AssCom Sindaport / Gisele de Oliveira
O novo presidente da Codesp, Alex Botelho, já assume o comando do maior porto do país com uma espada em sua cabeça. Terá que informar ao Ministério Público a relação dos cargos em comissão que existem na Companhia Docas, bem como o nome das pessoas que os ocupam.
“A verdade tarda, mas não falha. Em outubro do ano passado, o SINDAPORT enviou ofício ao Ministério Público requerendo a realização de um rigoroso levantamento para identificar e quantificar o número de cargos de confiança ocupados na estatal”, ressalta o presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos.
Um ano se passou e a denúncia realizada pelo SINDAPORT surte efeito. O inquérito civil instaurado pelo MP vai apurar eventuais irregularidades referentes à nomeação e estruturação dos cargos em comissão na Codesp.
No documento encaminhado ao SINDAPORT, o promotor Carlos A.M. Barbosa considera que o artigo 37, inciso V, da Constituição Federal estabelece que “as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas as atribuições de direção, chefia e assessoramento”.
E o promotor ressalta ainda que o artigo 11, caput da Lei 8.429/92, estabelece que “constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”.
Codesp vai ter que responder
O promotor solicita que no prazo de 30 dias a Codesp apresente os esclarecimentos sobre a adequação dos cargos em comissão da empresa à legislação; encaminhe cópia da lei que instituiu a Codesp e de seu estatuto, e os documentos sobre a regulamentação dos cargos em comissão da empresa.
E o principal: a Codesp terá que apresentar a relação dos cargos em comissão e o nome das pessoas que os ocupam.
"Há anos, como é de conhecimento de toda a comunidade portuária nacional, a Codesp é utilizada como moeda de troca em acordos políticos. A cada nova diretoria, novo partido no comando, novas pessoas chegam a Codesp para ocupar as mais diversas funções dentro da Autoridade Portuária. No entanto, a diretoria muda, os padrinhos vão embora, mas os apadrinhados estão se perpetuando nos cargos em comissão, contribuindo para o inchaço da empresa”, enfatiza o dirigente sindical.
Denúncia
A diretoria do SINDAPORT denunciou para diversos órgãos o excesso e a manutenção de pessoas nomeadas para o exercício de funções e cargos de confiança na Codesp. Ofícios foram encaminhados em outubro do ano passado para o Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Advocacia Geral da União, entre outros.
Em todos os ofícios, o presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino, requereu a realização de um rigoroso levantamento no sentido de identificar e quantificar o número de cargos, como, quem e por quanto tempo são ocupados.
O sindicalista também alertou para a ausência de informações e critérios utilizados para as nomeações.
Desafios
O presidente do SINDAPORT já tem na manga um pedido de audiência com o novo presidente da Codesp. Assim que assumir, Botelho já será questionado sobre alguns assuntos que têm incomodado os trabalhadores da empresa.
O enquadramento da complementação de aposentadoria no novo PCS, a alteração da jornada de trabalho para turnos de seis horas, a mudança na escala da Guarda Portuária são alguns dos assuntos que a diretoria do SINDICATO pretende tratar de forma urgente com o novo presidente.