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29/10/2015 - 02h01

À espera de mudanças


Fonte: AssCom Sindaport / Denise Campos De Giulio



O estilo arrojado e pouco comum demonstrado pelo ministro Helder Barbalho em menos de 30 dias no comando da Secretaria de Portos (SEP) começa a ganhar simpatizantes no segmento portuário. Isto porque, mal assumiu o leme do barco o mandatário lançou ao mar mais de vinte marinheiros, quase todos de primeira viagem e sem qualquer conhecimento no setor.
 
Até aí nada de anormal ou diferente em relação ao que já foi feito por seus antecessores e muito menos do que, certamente, farão os sucessores, levando-se em conta que para tamanha empreitada e diante da enorme responsabilidade é mais que necessário se cercar de pessoas de confiança, ainda que estranhas ao segmento.
 
Para tanto, Barbalho escolheu como braço direito o ex-senador do Pará, Luiz Otávio Oliveira Campos, nomeando-o para o importante cargo de secretário executivo da SEP. Também conhecido pela alcunha de "Pepeca", Campos traz no currículo a experiência adquirida no Sindicato das Empresas de Navegação do Pará (Sindarpa), onde foi presidente, e na Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário (Fenavega), na qual exerceu a vice-presidência.
 
A diferença de Barbalho para os ex-chefes da SEP está na perspicácia manifestada através da exata leitura do atual e delicado cenário político do País e na atitude claramente evidenciada pela opção de ignorar a tudo e a todos, inclusive a presidente Dilma Rousseff, para consolidar a degola em Deus e o mundo na pasta portuária. Um alento.
 
Diante das boas e novas perspectivas, sobretudo pelo afiado facão empunhado pelo ministro, o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, não perdeu tempo e também encaminhou expediente ao nº 2 da pasta, à exemplo do que já havia feito com o nº 1 logo após sua posse.  
 
Na missiva, Everandy Cirino apresenta as sugestões e considerações do sindicato, entidade representativa majoritária dos empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). "Mais que uma simples colaboração, é nossa obrigação a abordagem de temas que entendemos como relevantes para a saúde financeira e administrativa da empresa", afirmou.
 
De maneira bastante objetiva, o sindicalista destacou os custos despendidos pela estatal com ocupantes de cargos e funções de livre provimento por indicações políticas. "A Codesp está contaminada por uma serie de designações partidárias feitas por antigos diretores que há muito já terminaram seus mandatos sem nada agregarem ao setor portuário, e que deixaram como único legado uma oneração significativa da folha de pagamento", explicou Cirino.
 
Defendendo a ocupação de tais vagas por colaboradores de carreira da Codesp, o dirigente elencou de forma detalhada os gastos da empresa com as nomeações de superintendentes, gerentes, assessores e outras. De acordo com um recente levantamento feito pelo Sindaport, o Programa Desemprego Zero para os Apadrinhados e Gafanhotos custa aos cofres da Autoridade Portuária de Santos a bagatela de R$ 18 milhões/ano. 
 
Na visão do líder sindical, as mudanças promovidas  na SEP por Helder Barbalho devem ser estendidas às administradoras portuárias estatais. "Ao nomear um secretário executivo oriundo da atividade, o ministro nos indica que não apenas a gestão da SEP, mas de todas as companhias docas federais serão mais técnicas e menos politizadas, o que é muito positivo em razão do rico material humano existente nas companhias docas, principalmente na Codesp, seguramente o maior celeiro dos grandes profissionais do setor".   

A polêmica reestruturação organizacional não foi esquecida pelo presidente do Sindaport. "A situação é grave, uma vez que no nosso entendimento o Conselho de Administração (Consad) foi induzido ao erro de maneira muito bem orquestrada, possibilitando à Codesp , promover uma série de equívocos e absurdos, entre os quais as nomeações de pessoas alheias aos quadros da estatal, o que contraria o Plano de Cargos e Salários (PCES) vigente e validado no Ministério do Trabalho". 
 
Segundo Cirino, a nova estrutura administrativa foi aprovada e deliberada pelo Consad sem estudos de viabilidade econômica e financeira sobre a folha de pagamento e incidência sobre o Portus – instituto de seguridade social da categoria. "O assunto é de extrema relevância e caso não seja resolvido num curto espaço de tempo certamente resultará em ações judiciais contra a empresa, responsabilizando inclusive seus gestores", alertou. Realizado pela consultoria Deloitte, o projeto destinado às sete companhias docas administradas pelo Governo Federal foi implantado somente na Codesp.
 
Os temas elencados pelo Sindaport no ofício endereçado à SEP foram tratados de maneira informal entre Cirino a Oliveira Campos, na tarde desta quarta-feira, em reunião realizada na sede da Codesp que culminou com a designação do secretário executivo para a presidência do Consad.