Fonte: O Globo
A presidente Dilma Rousseff conversou na manhã desta quinta-feira com quatro ministros que serão afetados na reforma admnistrativa. Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Pepe Vargas (Direitos Humanos), Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial) foram chamados ao Palácio do Alvorada. Dilma deve anunciar a reforma na semana que vem. Ela foi aconselhada ontem pelo ex-presidente Lula a negociar com mais calma com os peemedebistas. A presidente embarcou para Nova York às 15h desta quinta-feira
para a abertura da 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
Dilma ainda está em negociação com o PMDB. Ela se reuniu nesta quinta-feira também com o vice Michel Temer para definir o tamanho que terá o partido na reforma. O vice-presidente embarca nesta quinta-feira para São Paulo. O ministro Ricardo Berzoini e o assessor especial da Presidência Giles Azevedo estão no Alvorada.
Para a Saúde, a presidente recebeu da bancada do PMDB na Câmara uma lista de três nomes: Manoel Júnior, Marcelo de Castro e Saraiva Felipe.
O mais cotado é Manoel Júnior. A bancada espera ainda um segundo ministério, que inicialmente seria o de Infraestrutura, resultante das fusões de Portos e Aviação Civil. Dilma, no entanto, está revendo a questão para manter Eliseu Padilha (Aviação Civil) e remanejar Hélder Barbalho da Pesca para os Portos.
Dilma pretendia tirar o ministro George Hilton do Ministério do Esporte, mas o PRB não aceitou a mudança. A tendência é que ele permaneça no cargo. O PP deverá manter a Integração Nacional e o PR, o Ministério dos Transportes.
BANCADA DA CÂMARA QUER DOIS MINISTÉRIOS
O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), afirmou nesta quinta-feira (23) que o compromisso assumido pela presidente com sua bancada foi o da indicação de deputados para duas vagas na reforma ministerial. Segundo Picciani, se esse compromisso não for cumprido, será preciso rediscutir com o governo o espaço do PMDB na Câmara no governo. O líder do PMDB, no entanto, minimizou as especulações que se fortaleceram na manhã desta quinta, de que Dilma teria voltado atrás e poderia dar apenas o Ministério da Saúde à bancada da Câmara.
— Eu aguardo tranquilamente a decisão da presidente. E só reafirmo que o espaço da bancada do PMDB na Câmara é de dois ministérios. Foi o que conversei com a presidente Dilma e o debate que fiz com a bancada foi o de indicação de deputados para dois ministérios. Se mudar isso, tem que discutir de novo — disse Picciani.
Segundo peemedebistas, a pressão do PT sobre Dilma está grande, principalmente depois do vazamento que a presidente daria o Ministério da Saúde para o PMDB. A presidente também tenta equalizar o espaço do PMDB no ministério, dividindo as vagas entre o PMDB do Senado, o da Câmara e a cota do vice-presidente Michel Temer. Um dos problemas, segundo interlocutores, é a saída do ministro Eliseu Padilha, da cota pessoal de Michel Temer.
Deputados do partidos afirmam, no bastidores, que não são contrários a que Padilha permaneça, mas que ele não é computado como uma das duas indicações da Câmara. Outro que também não é considerado como cota da Câmara é o ministro Henrique Eduardo Alves, do Turismo. A bancada na Câmara respaldou a permanência dele e, segundo deputados do PMDB, os senadores peemedebistas também. Por isso, sustentam, Henrique Alves está sendo considerado "cota mista" e não da Câmara.