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O VTMIS e a soberania operacional de Santos
Fonte: BE News - Editorial
O Porto de Santos, coração pulsante do comércio exterior brasileiro, está prestes a romper uma barreira tecnológica histórica. A iminente contratação do VTMIS (Vessel Traffic Management Information System ou, em tradução livre, Sistema de Informações para a Gestão do Tráfego de Embarcações), que agora aguarda apenas o aval técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), não é apenas a aquisição de um sistema de radares; é a implementação de um “cérebro digital” capaz de elevar o maior complexo portuário da América Latina ao patamar de eficiência dos terminais de Roterdã (Países Baixos) e Singapura (Singapura).
A importância da implantação do VTMIS para Santos reside na transição da gestão visual e fragmentada para o monitoramento inteligente e em tempo real do tráfego aquaviário em seu canal de acesso. Ao integrar torres na Ilha da Moela, no Morro do Tejereba, na Serra do Mar e na Ilha Barnabé, a Autoridade Portuária de Santos (APS) passará a ter o controle absoluto sobre cada embarcação, desde a aproximação nas áreas de fundeio até a atracação definitiva. Em uma via de navegação que desafia a engenharia diariamente, a precisão do VTMIS significa maior segurança no tráfego, redução do tempo de espera e, consequentemente, uma queda drástica no “Custo Santos”.
Contudo, o impacto do sistema ultrapassa a fluidez logística. O VTMIS é uma ferramenta de Estado para a segurança nacional. Ao detectar embarcações suspeitas e compartilhar dados em tempo real com a Polícia Federal, a Marinha e a Receita Federal, o Porto de Santos ganha uma blindagem tecnológica contra ilícitos e pirataria. O compartilhamento de informações meteorológicas e de tráfego transforma o porto em um ambiente preditivo, onde situações de risco podem ser mitigadas antes mesmo de se tornarem incidentes.
É fundamental que o TCU e a APS conduzam a etapa final deste processo com a celeridade que o setor produtivo exige. O cronograma de cinco anos, que prevê uma “operação assistida” já ao final do primeiro ano, mostra um planejamento maduro e focado em entregas graduais. O modelo de Suporte Logístico Integrado (SLI) garante que o sistema não nasça obsoleto, mas que evolua junto com as demandas de um porto que não para de crescer.
O Porto de Santos não pode mais navegar às cegas em relação às tecnologias de monitoramento global. O VTMIS é o investimento que faltava para garantir que a expansão de berços e terminais seja acompanhada por uma gestão de tráfego à altura do desafio. A modernização tecnológica é o único caminho para assegurar que Santos continue sendo o porto do futuro, operando com a máxima eficiência, total transparência e segurança absoluta. O Brasil tem pressa para ver esses novos olhos digitais voltados para o mar.
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