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Governo prepara agenda de expansão para enfrentar gargalos no porto

Fonte: BE News
 
Secretário de Portos afirma ao BE News que novos arrendamentos, modernização tecnológica e o Tecon Santos 10 são centrais para reduzir gargalos e custos
 
Em meio à pressão crescente sobre a infraestrutura do maior porto do país, o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, detalha os principais desafios operacionais do Porto de Santos e os planos do governo federal para enfrentá-los. Com pátios e berços de atracação operando próximos do limite, filas de navios, custos logísticos elevados e forte dependência do transporte rodoviário, a estratégia passa por uma agenda de novos arrendamentos, ampliação da capacidade física, modernização tecnológica, integração multimodal e avanços na agenda ambiental. O principal eixo dessa transformação é o Tecon Santos 10, projeto que promete reposicionar o porto no cenário internacional.
 
Responsável por cerca de um terço das exportações brasileiras e maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos atravessa um período de aumento da demanda diante do crescimento contínuo do comércio exterior. Segundo Ávila, os principais entraves atuais estão relacionados à limitação da infraestrutura estática, como pátios e berços de atracação, que já operam próximos do limite máximo. Esse cenário provoca filas de navios, aumento do tempo de espera para atracação e impacto direto no custo logístico. Outro gargalo relevante é a burocracia e a fragmentação dos fluxos de informação entre os diversos atores do setor portuário.
 
Para mitigar esses problemas, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aposta em uma agenda robusta de arrendamentos, concessões e modernização tecnológica. O principal projeto é o Tecon Santos 10, mega terminal de contêineres que promete um salto expressivo na capacidade operacional do porto.
 
“O projeto começou como STS 10, depois nós rebatizamos para Tecon Santos 10, quando fizemos a revisão. Mas, o fato é que ele remonta ao ano de 2012, quando se tiveram as discussões iniciadas. Então, só da gente ver um assunto que está há 13 anos sendo debatido, e a gente está agora dando passos importantes para tirá-lo do papel, fazer um leilão e efetivamente trazer iniciativa privada para fazer um investimento robusto no maior porto da América do Sul, eu acho que isso por si só já é um fato extremamente de ser comemorado”, afirmou Alex Ávila.
 
A modelagem do empreendimento já foi aprovada e encaminhada à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A expectativa, segundo anúncio do ministro de Portos e Aeroportos, é de que a licitação ocorra no primeiro quadrimestre de 2026. Com quatro novos berços, o terminal poderá elevar a movimentação anual para cerca de 9 milhões de TEU, o que colocaria Santos em outro patamar no cenário internacional. De acordo com Ávila, o porto poderia saltar da 48ª para a 15ª posição no ranking mundial de movimentação de contêineres.
 
Além da expansão física, o governo trabalha para aumentar a eficiência operacional do porto. A adoção de sistemas digitais busca integrar informações, reduzir etapas burocráticas e acelerar processos, diminuindo custos e tempos de operação. Paralelamente, avançam as discussões sobre a concessão e a manutenção da dragagem do canal de acesso, considerada estratégica para garantir maior calado e permitir a atracação de navios de grande porte.
 
A integração logística também ocupa papel central na estratégia federal. Atualmente, o Porto de Santos apresenta forte dependência do transporte rodoviário, o que gera gargalos adicionais. Há expectativa de ampliação da conexão com ferrovias e, conforme a viabilidade, com hidrovias. Projetos ferroviários que ligam o interior produtivo ao porto, além da implantação de pátios ferroviários internos — inclusive como exigência em novos arrendamentos — são vistos como fundamentais para tornar a logística mais competitiva. O governo também atua em conjunto com outros órgãos federais para ajustes regulatórios que facilitem a integração multimodal.
 
Sustentabilidade
 
Outro eixo prioritário é a sustentabilidade ambiental. Segundo o secretário nacional de Portos, Santos está sendo preparado para se tornar referência em logística verde. Entre as iniciativas estão investimentos em eletrificação de cais, permitindo que navios desliguem seus motores durante a atracação e reduzam emissões; implantação de sistemas inteligentes de gestão do tráfego marítimo; e uso de tecnologias voltadas à otimização das operações e à redução de desperdícios.
 
“O Porto de Santos tem relevância muito grande, e é um equipamento que conversa de forma plena com a agenda da sustentabilidade. Com o Tecon Santos 10, a gente já tem a previsão de ali ter todo o fomento, a agenda da sustentabilidade, equipamentos elétricos, a questão de combustíveis também. Uma série de fomentos e apoios que o projeto proporciona, porque ele tem características únicas”, explicou Ávila.
 
Na avaliação do MPor, embora Santos já ocupe posição de liderança na América Latina, manter a competitividade exige transformação contínua. A combinação do novo mega terminal de contêineres, maior profundidade do canal, integração logística e inovação tecnológica tem potencial para reduzir custos, aumentar a eficiência e ampliar a atratividade do porto para investimentos internacionais.
 
“A expectativa é consolidar o Porto de Santos como um hub global, alinhado às melhores práticas portuárias do mundo”, afirmou o secretário, acrescentando: “Com os projetos em andamento, o porto entra em uma nova fase, em que expansão, eficiência e sustentabilidade caminham juntas para sustentar o crescimento do comércio exterior brasileiro nas próximas décadas”.
 
História
 
Fundado oficialmente em 2 de fevereiro de 1892, data que marca a inauguração do porto organizado com a atracação do navio inglês Nasmith nos então 260 metros de cais, o Porto de Santos soma hoje 134 anos de história. As atividades portuárias no litoral santista, no entanto, remontam ao século 16. Atualmente, o maior porto do país conta com cerca de 16 quilômetros de cais disponíveis para atracação.
 

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