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Para analistas, vaga sem carteira vai levar a novo recuo do desemprego

Fonte: Valor Econômico
 
A sazonalidade favorável à criação de vagas ao fim de cada ano e a manutenção do quadro de aumento do emprego informal devem contribuir para reduzir a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua no trimestre encerrado em outubro.
 
Para alguns analistas, além desses fatores, o início de recuperação, ainda que marginal, do emprego com carteira assinada como resultado da retomada da confiança do setor privado, pode ser uma pequena surpresa dentro da redução de desemprego esperada para o período.
 
A média das estimativas de 25 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta para uma taxa de desemprego de 11,7% no trimestre encerrado em outubro, abaixo dos 11,9% de setembro. O intervalo das projeções vai de 11,6% a 12%. No trimestre encerrado em outubro do ano passado, o desemprego ficou em 12,2%. A taxa em 2018 cai desde março, quando o índice do trimestre foi de 13,1%.
 
A Pnad Contínua será divulgada amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Cosmo Donato, economista da LCA Consultores, que projeta taxa de 11,6% para a Pnad de outubro, lembra que a queda recente do desemprego se deu pela criação de vagas no mercado informal, combinada à estagnação na geração de emprego com carteira assinada. Ele explica, porém, que nos últimos meses houve um descolamento entre os dados da Pnad e os do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e que medem o emprego formal.
 
Mesmo levando em conta que a pesquisa do IBGE é amostral, pondera Donato, os dados sugerem que a Pnad de outubro pode trazer uma pequena surpresa, com melhora na margem da geração de empregos com carteira assinada. Ao mesmo tempo, parte da redução do desemprego deve continuar vindo da criação de vagas no mercado informal.
 
O economista explica que nos últimos quatro meses a redução de desemprego medido pela pesquisa do IBGE vinha caindo 0,1 ponto percentual ao mês, na série com ajuste sazonal. Para outubro e novembro, segundo ele, a consultoria espera uma queda de 0,2 ponto percentual, feito o ajuste sazonal.
 
Para Donato, fatores como a liberação de PIS/Pasep e a melhora da confiança como reflexo do resultado das eleições podem contribuir para a criação de vagas. Desde fevereiro, lembra ele, há uma decepção com os indicadores de emprego. "Por isso, muitas das contratações planejadas no fim do ano passado tinham sido represadas. A partir do momento em que uma parcela da incerteza sai da frente, parte das contratações pode vir a acontecer ao fim de 2018." A LCA projeta ainda taxa de desemprego de 11% no trimestre encerrado em dezembro, sem ajuste sazonal.
 
Da mesma forma que a LCA, o banco Haitong projeta desemprego pela Pnad Contínua de 11,6% no trimestre encerrado em outubro. A melhora deve acontecer por causa da sazonalidade favorável, diz Flávio Serrano, economista do banco.
 
"O rendimento médio, que vinha se recuperando, deu uma parada e ainda há no mercado bastante ociosidade. A melhora gradual limita a recuperação do consumo, mas ao mesmo tempo favorece a dinâmica da inflação de serviços."
 
O economista do banco chinês avalia, porém, que no trimestre encerrado em dezembro o desemprego deve cair para 11%, sem ajuste sazonal, com pequena melhora da dinâmica do emprego como um todo, como resultado de um crescimento melhor da margem na atividade econômica do quarto trimestre.
 
A recuperação esperada para a economia e para o emprego, ressalta o economista, é "bem gradual". O banco projeta desemprego médio de 12,2% em 2018 contra o índice médio 12,8% no ano passado.

 



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